sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Apresentando Resultados


Dois anos se passaram da implantação do Projeto Núcleo Vivo – acolhimento ao familiar do paciente borderline.
No meu encontro com as famílias que aqui chegam, pude notar o quanto tem sido  difícil para elas   abrirem-se para  novas possibilidades. Me levam a refletir sobre “quais sentimentos as impedem de serem agentes de  mudanças  num contexto como este.
Perguntas se “ele vai ser sempre assim”, “o que vai ser dele quando eu morrer”
se isto tem cura “ elencam uma enorme lista das aflições dos familiares. Estas angústias  aparecem como padrão de quem me procura.  
Apesar de  sentirem-se exauridas por concederem  o tempo todo,   não conseguem colocar limites. Continuam oferecendo as garantias habituais e que as mantém numa relação disfuncional desgastante.
 Ai está o conflito:  eu sou tão bonzinho e as coisas não andam bem, imagine se eu mudar meu comportamento!  Ou ainda: eu vou fazer um trabalho como este para ser mais bonzinho ainda?
Parecem encurraladas no mecanismo bem adaptado de um relacionamento  caótico, extenuante!
Minha percepção sobre o comportamento ambivalente  de algumas  famílias que buscam ajuda , mas ao mesmo tempo resistem à ela, me fazem questionar :
Qual o receio destas famílias, que desesperadas por respostas que lhes confortem, fogem ao mesmo tempo da transformação relacional  que procuram?
De que ajuda precisam? O que tentam preservar, já que denunciam o caos na relação familiar?
Buscam  certificar-se de que agem certo e que portanto não há mais nada a fazer?
Buscam somente confirmação sobre o modo como se relacionam com a dinâmica do seu parente?
O fato  é que a proposta do Núcleo Vivo de ajudar os familiares a neutralizar os eventuais ataques e manipulações projetadas pelo paciente borderline não tem sido tarefa fácil.
Reconheço e identifico um entrelaçamento de expectativas, tanto  das famílias  quanto   a minha própria, diante de tantos desafios.
Também eu como terapeuta nutro expectativas de que este  trabalho  junto aos familiares do paciente borderline  frutifique
Percebo nos relatos das famílias, que elas designam um lugar para  seu parente, mas este não se enquadra, ao contrário, frustra  todos os envolvidos,  permanentemente.
Neste cenário, cada membro da família parece  responder de um jeito diferente ao comportamento do paciente borderline : alguns respondem  com raiva, outros com culpa, outros por  obrigação! Mas há algo em comum entre eles:  o medo ! muitas vezes os familiares sentem medo da própria raiva  e de perderem o controle emocional. Campo fértil para  se configurar uma armadilha: os familiares se tornam involuntariamente parte desta dinâmica. Levam para o lado pessoal as atitudes do parente  e ficam aprisionados no ciclo vicioso da culpa, confusão, autoincriminação e medo.
Não conseguem reafirmar suas próprias necessidades. Por medo  e ansiedade, se valem dos métodos antigos de enfrentamento.
A princípio, quando este trabalho junto aos familiares foi pensado, delineado , a perspectiva era atendê-las  num enquadre  grupal.
Não tem sido assim, pelos motivos descritos anteriormente. Um trabalho individual tem sido necessário para fortalecimento dos familiares.
As famílias,   chegam muito demandantes, temerosas, resistentes. Solicitam  e restringem os cuidados  ao mesmo tempo.
Algumas se mostram paralizadas, receiam mudar o script estabelecido.
Pensam: eu tenho que salvar meu parente, e o salvo cuidando de suas demandas, não das minhas!
Sentem: Não posso ser egoísta!
Estas crenças , apesar de louváveis, não ajudam nem minimizam a impulsividade do paciente borderline. Ao contrário, reforçam ainda mais  o comportamento inadequado do parente.
Com estas atitudes ,os familiares assumem para si  as responsabilidades pelo parente e o parente não as assume, até porque não precisa: há quem faça por ele.
Para que os familiares percebam que eles próprios acabam ensinando  que suas exibições de raiva controlam suas atitudes é preciso tempo.
Ouvir, respeitar seus sofrimentos, assumir o papel do cuidador da família tem sido minha meta. Os familiares  também necessitam sentirem-se amados e seguros.
A grande contribuição deste trabalho  a cada família que chega ,tem sido   diminuir a co dependência entre o parente e os familiares.
As famílias , em sua singularidade estão respondendo de forma gradual aos reflexos automáticos da comunicação com seu parente, embora algumas se mantenham pouco receptivas para as mudanças.
O trabalho de conscientização dos familiares de que precisam primeiro se cuidar para depois cuidarem de seu parente , tem sido essencial para a prática da tão esperada harmonia relacional.

Marli Tagliari

sábado, 5 de outubro de 2013



Você tem alguém em casa que grita, xinga e deixa todo mundo tenso?
Isso pode ser uma doença:
A Síndrome do Paciente Borderline

A CID-10 (1993) classifica como Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável  , indivíduos que apresentam instabilidade de humor, hiper-reatividade frente a pequenos ou insignificantes problemas do dia a dia, baixíssima auto estima, acessos de raiva freqüentes e sobretudo um senso de identidade inconsistente. Geralmente a atitude mais constante dessas pessoas é buscar manter um cuidador  permanente através de doenças crônicas e de comportamentos auto lesivos.
Sem dúvida  estes e outros sintomas impactam negativamente o relacionamento familiar .
A terapia familiar é bem indicada nesses casos,  por  ajudar a reduzir alguns destes sintomas , beneficiando as funções da família. Nos encontros terapêuticos, as familias têm  a possibilidade de trabalhar seus conflitos, suas expectativas e seus limites relacionais  , para que ações inéditas e criativas emerjam , possibilitando  a reestruturação da comunicação, dos vínculos  e dos papéis de cada um na relação familiar . Os familiares  desenvolvem habilidades de enfrentamento junto a seu parente, com gradativa redução  de dor e  encargos , minimizando conflitos e possíveis sentimentos de culpa .

Núcleo Vivo Apoio aos familiares do borderline “
MarliTagliari – CRP  6074/06

Rua Araguari, 817 – 5o andar / cj.55
Moema – SP / CEP 04514-041
Fone: (11) 3448 4862
www.núcleo vivo.com.br

Fonte:
Grupo de trabalho sobre Transtorno de Personalidade Borderline. "Guia de Prática Clínica para o Tratamento de Pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline." American Journal of Psychiatry 158: 1-52, 2001.
CID-10 (1992) Classificação dos transtornos mentas e do comportamento
Porto Alegre – Artes Médicas 1993